Quando Chega a Hora de Partir: A Dor da Ausência e a Eternidade das Lembranças
A morte chega como um sussurro ou como uma tempestade. Às vezes, temos tempo para nos despedir, segurar as mãos, dizer as palavras que faltavam. Outras vezes, ela nos arranca alguém sem aviso, deixando o silêncio como resposta. Mas, independentemente do tempo ou das circunstâncias, a dor da ausência é sempre a mesma—um vazio que se instala, um eco de tudo o que fomos juntos.
Quando um ente querido parte, não é apenas a sua presença que nos falta. São as pequenas rotinas que se tornam feridas abertas: o café que ele tomava todas as manhãs, a cadeira vazia à mesa, o som da sua risada que agora vive apenas na memória. A saudade se manifesta nos detalhes, nas coisas que só percebemos quando não estão mais ali.
Nos primeiros dias, o luto é como um oceano revolto. Ondas de tristeza nos atingem sem aviso, deixando-nos sem fôlego. Há momentos em que tudo parece insuportável. O mundo continua girando, mas dentro de nós, algo parou.
Com o tempo, a dor muda de forma. Não some, mas se transforma. Aprendemos a conviver com a ausência, a aceitar que a saudade não é uma inimiga, mas uma lembrança do amor que existiu. Os dias passam e, em meio às lágrimas, surgem sorrisos tímidos ao recordar histórias vividas, gestos, olhares e palavras que nunca deixarão de ecoar em nós.
A morte leva a presença física, mas nunca o que foi compartilhado. O amor não se apaga. Ele permanece na voz que ainda ouvimos na memória, no cheiro guardado em uma peça de roupa esquecida, no jeito que repetimos sem perceber.
E então entendemos: aqueles que amamos nunca partem completamente. Eles se tornam parte de nós.
Se você está vivendo o luto, permita-se sentir. Chore, grite, silencie. Não há um jeito certo de lidar com a dor. Mas saiba que, um dia, a saudade será menos afiada. Ela será um sussurro doce, um abraço invisível, uma presença silenciosa nos dias de sol e nos dias de chuva.
A morte separa corpos, mas nunca corações. E enquanto houver lembrança, haverá vida.
Obrigada por chegar até aqui.
Renata Mara Geriatra

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